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sábado, 31 de dezembro de 2011

Renegocie para pagar menos juros em 2012

Com dez cartões de crédito, dona de casa chegou a dever R$ 300 mil.
Negociação ruim pode multiplicar dívida; saiba evitar armadilhas.

Ligia Guimarães Do G1, em São Paulo


A dona de casa Dora Teixeira, 54 anos, de Porto Alegre (RS), aprendeu na prática que renegociar uma dívida atrasada pode ser difícil e custar caro. Ela passou pela experiência depois de chegar a dever cerca de R$ 300 mil, entre financiamentos de um sítio para a família, empréstimos pessoais e cartões de crédito.

A dívida começou pequena, com uma sequência de pequenos atos que, hoje, ela avalia como erros: empréstimos pessoais, saques e compras em cerca de dez cartões de cartão de crédito. Por vezes, sacava dinheiro de um cartão para pagar outro. Quando se deu conta do problema e tentou, sozinha, conversar com os credores para parcelar o montante, viu a dívida se multiplicar por causa dos juros altos cobrados no acordo de renegociação.

“Fui multiplicando a dívida nesses acordos. Um cartão com fatura de R$ 3 mil em aberto, eu ia renegociar e subia para R$ 15 mil. Mas aí foi chegando nesse valor absurdo”, conta Dora, que decidiu pedir ajuda a um advogado quando o montante chegou perto dos R$ 300 mil.

A dona de casa, que perdeu noites de sono por causa da dívida, conta que a ansiedade de querer finalmente pagar o que devia fazia com que ela aceitasse acordos precipitadamente com os credores para, no mês seguinte, perceber que não teria condições de honrar as parcelas.

"Eu queria resolver o problema, então qualquer coisa que o banco propunha eu aceitava. Não dormia, não podia me sentir uma pessoa caloteira. Eu não sabia colocar no papel o quanto eu ganho, o quanto eu gasto e o quanto sobra, que é o tanto que eu posso usar para pagar as dívidas. Hoje eu aprendi a fazer um roteiro, anotar tudo que eu gasto, e comparar", comemora Dora, cuja dívida hoje caiu para R$ 100 mil, ainda pesada para a renda média mensal de R$ 2 mil.

Depois de cortar radicalmente os gastos de lazer, procurar atividades para aumentar a renda e mudar os hábitos financeiros de toda a família, ela diz que aprender a usar o crédito mudou sua vida de muitas maneiras. "Até minha filha entendeu. Falei para ela que eu errei, mas que o importante era que estamos juntas", diz. A menina já aprende a lidar com dinheiro desde pequena. "Ela quer uma Barbie de aniversário. No começo do ano combinei que ela ia juntar do dinheirinho que ganha da madrinha, meu, e que em outubro eu complementaria o que faltasse e esse seria o meu presente. Quando chegou a data, dei R$ 24, ela foi à loja, comprou e ficou muito feliz, satisfeita", comemora a mãe.

A dificuldade para resolver dívidas acumuladas que atrapalhou Dora é comum, na avaliação do assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. "O brasileiro não sabe negociar suas dívidas", diz o especialista. Ele explica que manter um bom nome na praça ajuda inclusive a se pagar juros menores quando precisar de um novo empréstimo. (Veja no vídeo acima: Mara Luquet dá dicas para sair das dívidas)

O educador financeiro Mauro Calil alerta: quanto mais fácil, mais caro o empréstimo. "Se alguém vai te dar crédito com o nome sujo, vai te emprestar com o juro mais alto. Aquelas propagandas na TV que prometem empréstimo sem verificação no Serasa só conseguem isso porque o juro é tão alto e absurdo que eles não estão nem aí. Se o tomador pagar uma ou duas parcelas, eles já estão no lucro", diz Calil.

Como negociar da forma correta? O G1 consultou entidades e especialistas que dão dicas. Confira:

PASSO A PASSO PARA RENEGOCIAR DÍVIDAS

1º - Anote em um papel todas as contas que estão para vencer ou vencidas. Para facilitar, tente colocar juntas as dívidas de uma mesma loja e, no final, faça a soma total dos valores que está devendo em cada um dos lugares.

2º - Coloque também no papel o quanto é sua renda, quanto são seus gastos fixos e o que sobra.

3º - Não se sinta constrangido ao renegociar a dívida. A iniciativa de procurar a negociação já mostra a intenção de honrar o compromisso. "Primeiro as pessoas têm vergonha de fazer isso, porque vão ter que se expor a uma quebra moral da palavra dela", diz o educador financeiro Mauro Calil. Seja sincero com o atendente que irá avaliar o seu caso e fale abertamente sobre os motivos que fizeram você deixar de pagar as contas.

4º - Na negociação, faça as seguintes perguntas para o credor, segundo orienta Mauro Calil:
- qual o valor original da dívida?
- quais os juros da dívida?
- qual o valor do produto em si?
- depois da renegociação, qual o valor total? Se for maior que o original, não aceite.

5º - Se perceber que não vai ter como pagar uma ou demais parcelas da (s) dívida (s), entre em contato com a(s) loja(s) e explique a situação. Tente fazer isso o quanto antes, para evitar que assim que a dívida fique cada vez maior.

6º - Antes de renegociar, faça os cálculos e anote no papel uma proposta que se encaixe no seu orçamento. Jamais recorra ao cheque especial, saques de cartão de crédito ou empréstimos que possuam taxas muito altas para cobrir o "rombo". Tente procurar alternativas mais baratas, como o crédito consignado, por exemplo.

"A pior coisa que alguém pode fazer é pegar dinheiro com uma financeira para pagar a outra. Esta é a verdadeira origem da bola de neve. Se você está tentado a fazer isso, pare, não faça nada, fique inadimplente que é muito melhor. Uma coisa leva a outra e a dívida nunca para de aumentar".


7º - Entre em contato com a instituição onde seu nome está sujo. Verifique em qual cartório está o registro e peça um extrato para verificar qual o estabelecimento que fez o protesto. Depois de quitar a dívida, peça ao estabelecimento uma declaração de quitação de dívida. Dirija-se ao cartório e peça o cancelamento do protesto.

8º - Na hora de renegociar com a loja/banco/financeira, tenha em mãos todas as informações que podem ajudar na conversa, como as contas em atraso e as cartas de cobrança que recebeu em casa.

9º - Fique atento: muitas vezes uma mesma dívida é cobrada por várias empresas de cobrança contratadas pelo credor. Para não confundir, reúna todas as cartas e identifique qual apresenta a melhor proposta de renegociação e parcelamento da dívida.

10º - Leve também algum documento oficial com foto para a conversa de renegociação, como o RG. Se estiver desempregado, é interessante levar a carteira profissional.

11º - No momento da renegociação, ouça a proposta que o atendente irá lhe apresentar e, caso você não esteja de acordo, apresente a sua contraproposta. Dica para reconhecer uma boa proposta: "Multiplique o valor da parcela pelo número total de parcelas: o resultado tem que ser menor que o valor original da dívida. Se for menor, é sinal de que a negociação começou a ficar boa", ensina o educador financeiro Mauro Calil.

12º - Ao fechar a renegociação, você deverá receber um novo contrato da sua nova dívida. A partir daí, o estabelecimento tem cinco dias úteis para pedir a retirada do seu nome do SPC/Serasa. Guarde o contrato novo como comprovante.

Fonte: Serasa, educadores financeiros Mauro Cal

http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2011/12/abusou-das-dividas-renegocie-para-pagar-menos-juros-em-2012.html