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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Força Nacional ficará em área onde índios relataram ataque, diz governo

Força Nacional intervirá no acampamento indígena até fim de conflitos.
'Não voltará a acontecer violência aqui', diz Secretário de Direitos Humanos.

Do G1 MS


Secretaria de Direitos Humanos visita acampamento indígena atacado em MS (Foto: Reprodução/TV Morena)Secretário de Direitos Humanos durante visita a
acampamento atacado em MS (Foto: TV Morena)

O governo federal determinou intervenção policial permanente da Força Nacional no acampamento indígena Guaiviry, situado na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. O anúncio foi feito pelo Secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Ramaís de Castro Silveira, durante visita ao local, na tarde de quarta-feira (23). O acampamento foi alvo de um ataque de pistoleiros na última sexta-feira (18), que resultou no desaparecimento do cacique de 59 anos, da etnia guarani-kaiwá. A Polícia Federal (PF) investiga o caso.

A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça confirmou a permanência da Força Nacional em Mato Grosso do Sul.

Durante a visita, Silveira esteve acompanhado por técnicos do governo federal, além do superintendente da PF de Mato Grosso do Sul, Edgar Paulo Marcon, do Procurador da República, Thiago dos Santos Luz, e do coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Silvio Raimundo da Silva.

“A investigação sobre o que aconteceu no acampamento já está sendo feita e, assim que possível, o resultado será levado ao público. No entanto, o que queremos dizer para as famílias indígenas é que não voltará a acontecer violência no local”, afirmou o secretário.

Silveira lembrou ainda que a determinação, que veio de Brasília, deve evitar novos confrontos no local. “Enquanto houver impasse pela posse das terras, equipes da Força Nacional permanecerão na entrada da propriedade”.

Indígenas estão apreensivos no acampamento que foi atacado em Mato Grosso do Sul (Foto: Tatiane Queiroz/G1 MS)Indígenas estão apreensivos em acampamento
que fica na área de fronteira (Foto: Tatiane Queiroz)

Ataque
Os índios, da etnia guarani-kaiwá, afirmam que o cacique desapareceu no início da manhã de sexta-feira (18), quando o acampamento teria sido atacado por aproximadamente 40 homens. A liderança teria sido atingido por um tiro de bala de borracha e depois teria sido colocado em uma caminhonete.

Os índios acreditam que o cacique está morto. Eles afirmam que, durante rituais religiosos, os “espíritos” revelaram a morte do líder indígena.

Investigação
No local, a perícia policial colheu fragmentos de munição e vestígios de sangue. Exames devem apontar se as amostras são de material humano. O superintendente da PF de Mato Grosso do Sul, Edgar Paulo Marcon, afirmou que as investigações sobre o ataque ao acampamento estão avançadas.

“Os vestígios de sangue estão sendo analisados pela perícia. No entanto, os peritos asseguraram que, pela quantidade de sangue encontrada no local, não é possível afirmar com convicção que o ferimento que o cacique tenha recebido causou a morte dele”, afirmou Marcon.

Quando indagado sobre possíveis suspeitos, o superintendente disse que ainda não revelará nomes. “Várias pessoas são suspeitas de envolvimento no caso e já estão sendo investigadas”.

http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2011/11/governo-determina-permanencia-da-policia-em-acampamento-em-ms.html

sábado, 16 de julho de 2011

Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em extrema pobreza, diz governo

Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em extrema pobreza, diz governo


Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília


A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello (Foto: Antonio Cruz/AB)

A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (MDS), Tereza Campello
(Foto: Antonio Cruz/AB)

A ministra de Desenvolvimento e Combate à Fome, Tereza Campello, anunciou nesta terça-feira (3) que o Brasil tem 16,27 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, o que representa 8,5% da população. A identificação de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza foi feita pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do governo federal para orientar o programa “Brasil sem Miséria”, que será lançado, segundo Campello, nas próximas semanas pela presidente Dilma Rousseff.

O objetivo do programa será garantir transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva para resgatar brasileiros da miséria.

“Essa taxa [de 8,5% dos brasileiros em situação de miséria] indica que não estamos falando de uma taxa residual. A taxa de extrema pobreza atinge quase um brasileiro a cada dez”, afirmou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, que participou da entrevista coletiva ao lado do presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, e da ministra Tereza Campello.

De acordo com o IBGE, do contingente de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, 4,8 milhões têm renda nominal mensal domiciliar igual a zero, e 11,43 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70.

Negros e pardos
Ainda segundo o levantamento, a grande maioria dos brasileiros em situação de miséria é parda ou negra, tanto na área rural quanto na área urbana.

“Na área urbana, quanto maior é a renda da população maior é o contingente de população branca. Quanto menor a renda maior a população parda e negra. O mesmo acontece na área rural, quanto menor a faixa de renda, maior a proporção de cor negra ou parda”, disse o presidente do IBGE.

Áreas rural e urbana
Segundo o IBGE, 46,7% das pessoas na linha de extrema pobreza residem em área rural, apesar de apenas 15,6% da população brasileira morarem no campo. O restante das pessoas em condição de miséria, 53,3% mora em áreas urbanas, onde reside a maoria da população - 84,4%.

A região Nordeste concentra a maior parte dos extremamente pobres - 9,61 milhões de pessoas ou 59,1%. Destes, a maior parcela (56,4%) vive no campo, enquanto 43,6% estão em áreas urbanas. A região Sudeste tem 2,72 milhões de brasileiros em situação de miséria, seguido pelo Norte, com 2,65 milhões, pelo Sul (715,96 mil), e o Centro Oeste (557,44 mil).

A ministra Tereza Campello afirmou que a pesquisa do IBGE vai ajudar a direcionar as ações do “Brasil sem Miséria”. Segundo ela, o governo será capaz de erradicar quase que por completo a extrema pobreza em quatro anos.

“A ideia é de que estamos fazendo um esforço extraordinário do governo federal, dos governos estaduais e dos municípios para erradicar a extrema pobreza. Não estamos falando de um plano que continuará, mas de uma força tarefa [para erradicar a pobreza em quatro anos]. O plano acaba em quatro anos”, disse a ministra.

Ela explicou que os programas sociais que beneficiam famílias pobres mas com renda superior a R$ 70 continuarão, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

“Continuaremos com as ações de transferência de renda e ações de saúde e educação na faixa dos R$ 70 a R$ 140. Mas quando você vê o grau de fragilidade para os que vivem abaixo dessa faixa, justifica que a gente tenha um olhar especial”, disse, explicando a escolha de dedicar próximo programa do governo aos brasileiros que ganham menos de R$ 70.

Metodologia
Para demilitar os brasileiros que vivem em condição de extrema pobreza, o governo utilizou dados preliminares do Censo Demográfico de 2010. A linha de pobreza foi estabelecida em R$ 70 per capita considerando o rendimento nominal mensal domiciliar.

Desse modo, qualquer pessoa residente em domicílios com rendimento menor ou igual a esse valor é considerada extremamente pobre. Há, no entanto, integrantes de uma família que, apesar de não terem qualquer rendimento, não se encaixam na linha de extrema pobreza.

Para calcular as pessoas sem rendimento que, de fato, se incluem na linha de miséria, o IBGE realizou um recorte que considerou os seguintes critérios: residência sem banheiro ou com uso exclusivo; sem ligação de rede geral de esgoto ou pluvial e sem fossa séptica; em área urbana sem ligação à rede geral de distribuição de água; em área rural sem ligação à rede geral de distribuição de água e sem poço ou nascente na propriedade; sem energia elétrica; com pelo menos um morador de 15 anos ou mais de idade analfabeto; com pelo menos três moradores de até 14 anos de idade; com pelo menos um morador de 65 anos ou mais de idade.

http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/05/brasil-tem-1627-milhoes-de-pessoas-em-situacao-de-extrema-pobreza.html