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domingo, 19 de junho de 2011

Funai descobre nova referência de índios isolados no Vale do Javari, no Amazonas

Funai descobre nova referência de índios isolados no Vale do Javari, no Amazonas

Por racismoambiental,

A região é onde se concentra o maior número de números isolados do país, segundo a Funai

Elaíze Farias

Entre 2000 e 2010, a Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari (FPEVJ), na fronteira do Amazonas com o Peru, localizou pelo menos 90 pontos com referências de índios isolados vivendo em floresta densa naquela região. Uma das referências foi identificada em 2010, quando uma maloca dos indígenas do rio Quixito foi vista durante sobreevoo da Funai. Desde 1978 não havia qualquer referência deste povo.

No último dia 22 de abril uma nova referência surgiu durante expedição da FPEVJ e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Foram identificados três grupos de malocas na região na bacia do rio Jutaí, afluente do Solimões.

O chefe de Frente Etnoambeintal Vale do Javari, Fabrício Amorim, diz que ainda não é possível concluir se estas pessoas vivendo em isolamento são da família dos indígenas korubo (que também vivem em isolamento, mas já foram contatados há 15 anos) ou se pertencem a algum grupo ainda desconhecido da língua Pano.

Nas malocas registradas durante o sobrevôo feito pela Funai, os indigenistas acreditam que vivem pelo menos 100 pessoas. Há registros de malocas menores, tapiris e plantações de milho.

“A região do Vale do Javari é rica em indígenas que vivem em isolamento. A nossa política não é fazer contato, apenas monitorar a situação deles e promover a vigilância. Temos uma certa preocupação para que não ocorra a invasão dessas terras”, disse Amorim.

Conforme o chefe da Frente, é preciso fazer novas expedições (provavelmente no próximo ano) na região para confirmar se a nova área de referências de índios isolados está dentro da terra demarcada dos indígenas do Vale do Javari ou na fronteira.

Vigilância

Carlos Travassos, chefe da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai reiterou que a identificação dos isolados não pressupõe que o contato será feito.

“A área passará a ser estudada e trabalhada para que os instrumentos de vigilância seja realizado no local onde vivem os indígenas”, disse ele.

Conforme Travassos, no Vale do Javari, localizado na região do município de Atalaia do Norte (a 1.136,12 quilômetros de Manaus), há três postos de vigilância da Funai.

Algumas das principais ameaças dos indígenas daquela região são invasões de madeireiro, pescadores e doenças transmitidas por “brancos”.

No Vale do Javari existem povos indígenas de diferentes etnias. Entre as que já foram contatados estão marubo, matis, maioruna, kulina, além dos korubo, que estão na categoria de etnia de recente contato.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=387147

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Comunidades indígenas de Tefé, no Amazonas, sofrem com a seca

Comunidades indígenas de Tefé, no Amazonas, sofrem com a seca


Adital -

A comunidade do Povo Kokama em Porto Praia de baixo, município de Tefé (AM), com aproximadamente 300 indígenas, está isolada por causa de uma das maiores secas de todos os tempos já vista na região. De acordo com Raimundo Nonato da Silva, tuxaua da comunidade, falta água potável para os moradores, os lagos estão secando e os peixes morrendo. "Os que conseguimos pescar para venda, chega ao mercado já estragado, devido o transporte. Para carregar por terra, a distância é de mais de 4km a pé, no sol", afirma.

Os indígenas também já não podem fazer farinha, devido à falta de água e também pela falta de meio de transporte para o produto. Raimundo explica que comunidade já sofre com doenças. "Por causa da falta de água, a comunidade já sofre com diarréia, gripe e outras doenças causada pela má qualidade da água adquirida, sendo de um córrego atrás da aldeia sem nenhum tratamento", diz. Segundo o tuxaua, a secretária de Ação Social do município, Norma Pantoja, disse que a prefeitura deve furar um poço artesiano na aldeia, mais até o momento nada foi feito.

A situação de calamidade se estende por outras comunidades do município de Tefé e outras regiões. As comunidades São Jorge e Nova Jerusalém no lago de Tefé; Barreirinha no lago do Caimbé; Nossa Senhora de Fátima no lago do Catuá; Boará e Boarazinho no rio Solimões, sofrem do mesmo problema. Obede da Silva Maricua, diretor do departamento de saúde da organização indígena SEI-Tefé (Saúde, Educação e Terras Indígenas de Tefé), afirmou que os indígenas estão encaminhando um documento para a Funai para buscar apoio e ajudar as famílias isoladas.

O Cimi na Prelazia de Tefé se solidariza com a luta dos povos e apóia as iniciativas que favoreçam a vida destas populações.

Por Antonio Nascimento, Cimi Norte 1

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Povos indígenas sofrem discriminação em Ipixuna, no Amazonas

Povos indígenas sofrem discriminação em Ipixuna, no Amazonas


Adital -

Indígenas do povo Madija Kulina estão sendo hostilizados pela população de Ipixuna, município localizado a 1.380 quilômetros de Manaus, ao sul do Amazonas. A denúncia é feita por Ercília Tikuna, coordenadora da AMIMSA - Associação das Mulheres Indígenas do Médio Solimões e Afluentes, organização sediada na cidade de Tefé, Amazonas.

Segundo ela, está acontecendo um descaso muito sério contra indígenas do povo "Madija Kulina" - um povo de pouco contato que vive em área isolada, na região do rio Juruá. "O Conselho Distrital de Saúde Indígena, do qual faço parte no controle social, recebeu uma denuncia verbal, feita pela coordenadora da saúde do município, de que há indígenas com tuberculose, morando em uma casa alugada pelo município, e que estes estariam sendo discriminados pela população local", diz Ercília.

Ela relata que os indígenas teriam sido agredidos quando foram à cidade. Moradores do bairro onde está localizada a casa alugada para os indígenas fizeram abaixo assinado dirigido a prefeita municipal para que ela não aceite a permanência dos indígenas na casa. "Eles poderiam estar na aldeia fazendo tratamento mas, devido a seca nos rios que está crítica este ano, eles têm que ir para a cidade, de onde querem expulsá-los", relata Ercília.

Descaso

Em carta dirigida à Fundação Nacional do Índio - Funai, Ministério Público Federa, Coordenação Regional da Fundação Nacional de Saúde - Funasa e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - Coiab, a presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena do Médio Solimões - Condisi, Francisca das Chagas Correia cobra solução para o caso de dois indígenas Kulina que levaram 37 dias em deslocamento de Manaus até a cidade de Eirunepé, na região do rio Juruá.

A assistente social da Casa de Saúde do Índio - Casai, de Eirunepé, Priscila Bezerra comunicou ao Condisi que Pissi Kulina, de 48 anos, e Alfredo Kulina, de 70 anos, passaram fome, frito e sentiram muitas dores durante o percurso. "Os mesmos chegaram a esta Casai desnutridos, doentes, abaixo do peso e desorientados", informou Priscila Bezerra.

Por J. Rosha

FONTE: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=10&cod=51069