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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Funai interdita área para índios isolados nas proximidades de Belo Monte, no Pará


Funai interdita área para índios isolados nas proximidades de Belo Monte, no Pará

Por racismoambiental,

Fernanda Bellei, ISA

Criação da Terra Indígena (TI) tenta proteger isolados dos impactos que deverão ser causados pela hidrelétrica na região. Seca artificial do rio e aumento substancial da invasão de terras públicas, no entanto, são problemas que ainda não têm solução.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) criou, na última semana, a TI Ituna / Itatá, que abriga índios isolados, entre as TIs Koatinemo e Trincheira/Bacajá, no Estado do Pará. Durante dois anos, a entrada na nova Terra Indígena será autorizada apenas para funcionários do órgão para permitir o estudo desse grupo indígena. Veja o mapa abaixo e clique para ampliar.

A nova TI foi criada por meio da portaria nº 38, de 11/01/2011, ocupa uma área de 137.756 hectares, entre os rios Xingu e Bacajá, e fica há 50 km da área do projeto da Usina Hidrelétrica Belo Monte. De acordo com o indigenista Fábio Ribeiro, da Funai de Altamira, PA, a intenção é proteger os índios isolados dos impactos previstos em função da obra. “Temos alguns relatos de avistamento desses índios pela população do entorno. A ideia é conhecer e proteger este grupo”.

Fábio conta que a TI Ituna / Itatá fica há aproximadamente 70 km da região da Volta Grande, um trecho do Rio Xingu de aproximadamente 100 km que será desviado para a viabilização da usina. Com o rio seco, não só os povos indígenas, como também ribeirinhos, populações extrativistas e agricultores familiares daquela região deverão ficar sem água, peixe e meios de transporte.

O indigenista explica que regiões onde existem referências de índios isolados são alvo de pesquisas para conhecimento das áreas de ocupação e levantamentos etno-históricos para dimensionar e identificar o território original desses povos.

Parecer da Funai sobre impactos

O Parecer Técnico nº 21 – Análise do Componente Indígena dos Estudos de Impacto Ambiental, realizado pela Funai em setembro de 2009, com base no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de Belo Monte, não só aponta para as pressões que deverão ser causadas sobre os recursos naturais do local como também cita relatos sobre a presença de índios isolados naquela região. “…De acordo com antropóloga Regina Polo Müller, os povos Asuriní do Xingu relatam a presença de índios isolados da região do interflúvio Xingu-Bacajá desde a década de 1970”.

O estudo traz também considerações do órgão indigenista a respeito dos impactos que a usina pode causar a esse grupo. “…o território de perambulação do grupo está localizado há menos de 100 km (em linha reta) do local onde está previsto o barramento do Rio Xingu, no sítio Pimental, na Volta Grande do Xingu. Caso esse aproveitamento hidrelétrico seja concretizado, muito provavelmente o território de perambulação desses grupos isolados será afetado, principalmente devido ao fluxo migratório ‘espontâneo’ previsto para a região, estimado em quase 100 mil pessoas”.

http://www.yikatuxingu.org.br/2011/01/21/funai-interdita-area-para-indios-isolados-nas-proximidades-de-belo-monte-no-para/

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Criminalização de movimento comunitário no rio Tapajós, no Pará

Criminalização de movimento comunitário no rio Tapajós, no Pará


Não podemos calar diante dos crimes da Eletronorte aqui no rio Tapajós. Por isso, utilizamos o respeitado site IHU para que o Brasil e o mundo saibam o que ocorre nestes dias aqui em nossa região", escreve Edilberto Sena, Coordenador da Rádio Rural AM de Santarém no Pará e membro da Frente em Defesa da Amazônia (FDA).

Alguns devem já saber que o Ministério das Minas e Energia, através de sua subsidiária ELETRONORTE tem um perverso plano de construir inicialmente cinco grandes hidroelétricas na bacia do rio Tapajós, aqui
no Pará. Até hoje nunca procurou a sociedade regional e as comunidades ribeirinhas, nem o povo indígena Munduruku para dialogar e sentir se nós concordamos com tal plano. Para nós é um plano criminoso, porque vai destruir vidas humanas, vidas animais e vegetais, vai comprometer totalmente a dinâmica dos rios da região e portanto o meio ambiente.

Pois bem, esse plano que vem sendo elaborado, pesquisado, recebendo aprovação lá em Brasília, agora chega mais perto das comunidades de São Luiz do Tapajós, Pimental, Mangabal, Jacarecanga, entre outras comunidades, invadindo as comunidades, fazendo medições de terra e água, sem nunca pedir licença aos legítimos donos das terras onde vivem há mais de 100 anos.

Nestas últimas semanas ocorreu um fato político, espontâneo de resistência na comunidade Pimental, acima de São Luiz do Tapajós. Funcionários enviados pela Eletronorte entraram na comunidade, fizeram
demarcação de alguma coisa e fixavam marcos de cimento, quando um grupo de comunitários abordou os forasteiros indagando com que ordem estavam invadindo seu território. Responderam que estavam ali com
ordem do presidente. O grupo entendeu que tinha sido o presidente da comunidade e foram a ele, já irritados. Este respondeu que não sabia de nada e não dera ordem nenhuma a forasterios. O grupo cresceu de mais comunitários e voltaram já indignados com as mentiras dos funcionários, quando estes disseram que estavam ali com ordens do Presidente da República e que não tinham que dar satisfação a ribeirinho nenhum.

Então o grupo que juntara mais moradores indignados arrancou os marcos de cimento e os quebraram, expulsando os funcionários da comunidade. Estes vieram até Itaituba e registraram Boletim de Ocorrência contra a comunidade, já que não sabiam nome de algum membro da mesma.

No dia seguinte chegou uma equipe representando a comunidade de Pimental em Itaituba e deram sua versão dos acontecimentos, a esta hora distorcidos pelos funcionários e por um vereador, oportunista e
vendido à defesa da Eletronorte, os chamou de vândalos criminosos.

Os movimentos sociais em defesa do rio Tapajós estão manifestando apoio aos moradores de Pimental e buscando advogado para processar a Eletronorte por invasão de soberania territorial.

Tal fato revela a estratégia da Eletronorte: agir na surdina, criar o fato consumado, crimiminalizar qualquer resistência popular e destruir povos, rios, meio ambiente para colocar grandes fontes de energia para
servir à grandes projetos dentro e fora da região, como ALCOA, RIO TINTO, MINERAÇÃO RIO DO NORTE e outras que vorazmente se instalam na exploração de bauxita, ouro, calcário e outros minérios abundantes em nossa região.

A sociedade brasileira, o governo federal, o Ministério de Minas e Energia precisam saber que no Pará, se existem os políticos ficha suja, os incompetentes, existe também um povo que tem dignidade e luta
por respeito a seus direitos. E quem compreender os direitos dos povos amazônicos é convidado(a) a manifestar seu apoio moral e eficaz à nossa resistência, começando com o apoio à comunidade Pimental no alto rio Tapajós. Como diz a cantiga - "Quem gosta de nós somos nós e aqueles que nos vêm ajudar, por isso confia em quem luta, que a história não falha nós vamos vencer".

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=37617