terça-feira, 30 de agosto de 2011

Indígenas assinam compromisso por mineração


O primeiro grande passo para a aprovação de projetos pilotos de extrativismo mineral no Alto Rio Negro foi dado nesta segunda-feira, dia 29, na Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), com a assinatura de um “Memorando de Entendimento” entre os representantes das instituições envolvidas, a própria Seind e a mineradora canadense Cosigo Resources Ltda. O documento possibilita a criação das condições ideais para o sucesso das políticas traçadas pelo Governo do Amazonas voltadas aos povos Indígenas.


Em obediência à legislação brasileira, convenções e tratados internacionais, a implantação do “Projeto de Extrativismo Mineral no Estado do Amazonas” pretende abranger as terras indígenas dos rios Içana e Tiquié, no Alto Rio Negro; e Apaporis, no rio Japurá. De acordo com o documento, as partes se comprometem em constituir, junto às comunidades indígenas, organizações e lideranças, a “Anuência Prévia e Consentimento Esclarecido” para realização de inventário das potencialidades por perfuração e viabilidades econômicas das terras referidas para, posteriormente, submeter à aprovação e licenciamento do projeto junto aos órgãos competentes.


Assinaram o memorando, Paulo Cristiano Dessano, da Vila José Mormes, na comunidade indígena de Japurá; Irineu Lauriano Baniwa, liderança de Jandu Cachoeira; Pedro Machado Tukano, de Pari-Cachoeira (todos em São Gabriel da Cachoeira), além do secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa, e o vice-presidente Cosigo, Andy Rendle. “Em algumas localidades ainda não está claro o que é extração organizada e garimpo, por isso o próximo passo é fazer uma reunião específica nas comunidades, com a presença do governo, da Funai, prefeituras e ONGs”, disse o titular da Seind. “Após essa reunião vamos fazer um seminário regional em São Gabriel para sensibilizar o poder público e o Exército”, acrescentou.


O resultado das discussões e os projetos pilotos elaborados vão ser apresentados durante o seminário que será organizado pela Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH), no dia 27 de outubro, na Feira Internacional da Amazônia (Fiam). De acordo com o titular da pasta, Daniel Nava, o evento deverá ter a participação da presidenta Dilma Roussef. “Será uma grande oportunidade para apresentarmos os projetos, trazer representantes indígenas da Colômbia e do Canadá e contar com a presença da grande mídia”, justificou. “Eu e o Bonifácio estivemos na Colômbia onde fizemos uma discussão na localidade Traíra, fomos ao Ministério da Justiça expor a situação e, ao lado da Seind, esperamos facilitar as ações e apoiar tecnicamente para que o projeto avance”, disse.


Quatro projetos em parceria com a Seind estão em fase de aprovação para inserção no Plano Plurianual da Secretaria de Mineração: o projeto Lapidart, em São Gabriel, com apoio no arranjo produtivo; a cerâmica artesanal, que envolve todas as comunidades indígenas; o geoturismo, que transforma São Gabriel em um grande geoparque, que une a compra das jóias a um roteiro turístico até o Pico da Neblina; e a geração de energia.


Além do encontro na Colômbia, intitulado “Mineração um Sonho Possível dos Povos Indígenas, os secretários participaram ainda de uma reunião sobre o projeto mineração com a diretoria da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), em maio deste ano. Entre os dias 26 e 29 de junho, em Niagara Falls, na Província de Ontario, no Canadá, Bonifácio José esteve na Reunião Internacional de Cúpula Indígena sobre Energia e Mineração. A visita e apresentação de demandas ao Ministério da Justiça e ao Ministério de Minas e Energia, em Brasília, foram apresentadas no início de agosto.


Parceria canadense

A relação de parceria e cooperação técnica entre os governos do Amazonas e do Canadá, comunidades indígenas e iniciativa privada daquele país ficaram mais estreitas, após o evento em Ontario. O objetivo foi identificar o papel atual e o potencial dos povos indígenas nos setores de energia e mineração, inclusive energia limpa em expansão, e estabelecer um mecanismo de apoio comercial, com informações educacionais fundamentais sobre estes setores.

Mineradora

A Cosigo é uma empresa de mineração canadense que já possui nove propriedades requeridas no município de Japurá (a 1.498 quilômetros de Manaus) para trabalhar na exploração de ouro e alumínio. De acordo com Andy Rendle, a meta é promover grandes projetos de mineração em terras indígenas que beneficiem diretamente a essas populações no Amazonas e não causem impacto ao meio ambiente. “Trabalhamos em pesquisa de subsolo sem causar nenhum impacto, pois nossas máquinas são sofisticadas e podem entra na floresta sem devastar”, o diretor em Prospecção da Cosigo, o alagoano Agamenon Silva.


Futuro

Preocupado com a escassez de peixe e a falta de opção para adquirir alimentos na região de Pari-Cachoeira, Pedro Tukano reconheceu os avanços na discussão sobre mineração em áreas indígenas, mas cobrou uma participação das autoridades, com base no futuro desses povos. “Não queremos ser tratados como traficantes de minério, estamos trabalhando para que os jovens indígenas possam usufruir desse benefício em relação à sustentabilidade das nossas terras”, explicou.

Bem mais crítico, Paulo Dessano, da comunidade Vila José Mormes, acrescentou que, além da mineração, outras riquezas precisam ser melhor explorada e preservadas dentro das comunidades indígenas. “Nós temos muitos minérios, temos cultura e nossa medicina tradicional, mas não temos dinheiro”, lamentou.

http://www.amazonasnoticias.com.br/index.php/amazonas/1814-indigenas-assinam-compromisso-por-mineracao.html

Lideranças indígenas são presas por atos subversivos em Mato Grosso do Sul

Celso Bejarano
Especial para o UOL Notícias
Em Campo Grande

Numa operação que envolveu cerca de cem homens da Polícia Federal e de uma força especial da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, seis lideranças indígenas foram detidas na tarde desta segunda-feira (29) em aldeias situadas nos arredores de Dois Irmãos do Buriti (100 km de Campo Grande).

As informações divulgadas até agora pela PF indicam que os índios foram detidos por envolvimento em crimes de sequestro, cárcere privado e por porte e uso ilegal de armas de fogo. A superintendência da Funai em Campo Grande ainda não se manifestou quanto à operação. A imprensa não teve acesso a nenhum dos detidos, cujos nomes não foram revelados.

A Justiça Federal foi quem mandou prender os índios temporariamente – validade de cinco dias, com possibilidade de reprogramar o prazo. Dois Irmãos do Buriti possui cerca de 10 mil habitantes, quatro mil dos quais pertencem à tribo terena.

Desde a década de 1970, os índios disputam 17 mil hectares de terras hoje ocupadas por 13 fazendeiros. Em 2001, o território foi tido como área indígena, mas os ruralistas ingressaram com recursos judiciais, e a questão corre agora no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (São Paulo).

Em maio deste ano, os índios invadiram duas fazendas que, para eles, são territórios indígenas, a conhecida como 3R e a Bom Jesus. Na ocupação, os terenas fizeram reféns empregados da propriedade e servidores da Funai.

Por conta dessa ocupação, os índios foram detidos, segundo informou funcionários da entidade. Ao menos 1.500 índios ainda permanecem próximos as duas fazendas. Em maio de 2010, um grupo de índios trancou numa sala da prefeitura de Dois Irmãos do Buriti o prefeito Wlademir de Souza Volk, conhecido como Japão do PT.

O prefeito passou quatro horas sob o domínio dos índios por ter, segundo os terenas, “descumprido promessas de campanha”. Os índios exigiram, entre outros benefícios, combustível para mover seus tratores.

A assessoria de imprensa da Funai, em Campo Grande, informou que a prisão dos índios seria acompanhada pela Procuradoria da República, que também ainda não se manifestou. Os índios, segundo a PF, foram levados para o presídio de Trânsito, em Campo Grande.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/30/liderancas-indigenas-sao-presas-por-atos-subversivos-em-mato-grosso-do-sul.jhtm