Vila Velha quer forçar morador a deixar as ruas da cidade
Cida Alves
cidaalves@redegazeta.com.br
Dentro de uma semana, a Prefeitura de Vila Velha apresentará um projeto de lei para retirar dos bairros todos os moradores de rua que moram no município. Além disso, a administração pretende formalizar com o Ministério Público Estadual (MPES) um Termo de Ajustamento de Conduta para contar com o apoio de outras instituições, como as polícias Civil e Militar, nessa ação.
O projeto também prevê a internação compulsória de usuários de drogas para tratamento da dependência química. A prefeitura pretende pedir regime de urgência para a votação da proposta na Câmara de Vereadores.
Segundo o secretário de Defesa Social de Vila Velha, Ledir Porto, há, atualmente, entre 300 e 400 pessoas vivendo nas ruas do município. "Na sua grande maioria são usuários de drogas, principalmente o crack. E essas pessoas roubam para manter o vício". A grande parte dessa população de rua está nas zonas nobres da cidade.
O secretário informou que hoje fará uma visita aos pontos de maior concentração de moradores de rua no município, juntamente com o prefeito Neucimar Fraga e com representates do MPES e das polícias Militar e Civil.
Triagem
Porto explicou que os moradores de rua passarão por uma triagem nos abrigos. Os que não forem residentes de Vila Velha serão encaminhados para os seus municípios de origem.
"Com o apoio da polícia também pretendemos identificar esses moradores de rua e saber quais tem dívidas com a Justiça", explicou.
No caso dos usuários de drogas, estes seriam encaminhados para desintoxicação e os que quiserem tratar a dependência serão encaminhados para um centro terápeutico. Também será criado um ambulatório de rua para atender a esta população. "A ideia é que eles não voltem mais para as ruas", concluiu Porto.
O MPES informou, por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vila Velha, que tomou conhecimento da proposta da PMVV por meio da imprensa e que analisará os fatos.
Análise
Internação compulsória pode ser alternativa
Fernando Furieri, psiquiatra
Há um consenso internacional de que a internação compulsória é considerada uma possibilidade de tratamento, e esta iniciativa pode ter uma consequência fantástica na cidade, no Estado e também na opinião nacional sobre o tema. Em muitos casos, é a forma de fazer com que um dependente químico - que já não tem a mínima possibilidade de discernimento e que põe em risco outras pessoas pelos atos ilícitos que pode cometer - possa ficar sem usar a droga e decidir mais tarde pelo tratamento. O único grande problema é que muitos já são escravos de drogas como o crack, que exigem anos de tratamento. Muitas vezes, a vida inteira. Geralmente, para poder dar a estrutura que esse tratamento exige, o governo necessita do apoio de ONGs, igrejas e organizações que dirigem residências terapeuticas.
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/07/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/895881-vila-velha-quer-forcar-morador-a-deixar-as-ruas-da-cidade.html
Entre as ações que devem ser adotadas pela prefeitura está a internação compulsória de usuários de drogas
Cida Alves
cidaalves@redegazeta.com.br
O projeto também prevê a internação compulsória de usuários de drogas para tratamento da dependência química. A prefeitura pretende pedir regime de urgência para a votação da proposta na Câmara de Vereadores.
Segundo o secretário de Defesa Social de Vila Velha, Ledir Porto, há, atualmente, entre 300 e 400 pessoas vivendo nas ruas do município. "Na sua grande maioria são usuários de drogas, principalmente o crack. E essas pessoas roubam para manter o vício". A grande parte dessa população de rua está nas zonas nobres da cidade.
O secretário informou que hoje fará uma visita aos pontos de maior concentração de moradores de rua no município, juntamente com o prefeito Neucimar Fraga e com representates do MPES e das polícias Militar e Civil.
Triagem
Porto explicou que os moradores de rua passarão por uma triagem nos abrigos. Os que não forem residentes de Vila Velha serão encaminhados para os seus municípios de origem.
"Com o apoio da polícia também pretendemos identificar esses moradores de rua e saber quais tem dívidas com a Justiça", explicou.
No caso dos usuários de drogas, estes seriam encaminhados para desintoxicação e os que quiserem tratar a dependência serão encaminhados para um centro terápeutico. Também será criado um ambulatório de rua para atender a esta população. "A ideia é que eles não voltem mais para as ruas", concluiu Porto.
O MPES informou, por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vila Velha, que tomou conhecimento da proposta da PMVV por meio da imprensa e que analisará os fatos.
Análise
Internação compulsória pode ser alternativa
Fernando Furieri, psiquiatra
Há um consenso internacional de que a internação compulsória é considerada uma possibilidade de tratamento, e esta iniciativa pode ter uma consequência fantástica na cidade, no Estado e também na opinião nacional sobre o tema. Em muitos casos, é a forma de fazer com que um dependente químico - que já não tem a mínima possibilidade de discernimento e que põe em risco outras pessoas pelos atos ilícitos que pode cometer - possa ficar sem usar a droga e decidir mais tarde pelo tratamento. O único grande problema é que muitos já são escravos de drogas como o crack, que exigem anos de tratamento. Muitas vezes, a vida inteira. Geralmente, para poder dar a estrutura que esse tratamento exige, o governo necessita do apoio de ONGs, igrejas e organizações que dirigem residências terapeuticas.
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/07/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/895881-vila-velha-quer-forcar-morador-a-deixar-as-ruas-da-cidade.html
